quarta-feira, 23 de novembro de 2011

ELEGÂNCIA



Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
... É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.

É possível detecta-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam, nas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detecta-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detecta-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante você fazer algo por alguém e este alguém jamais saber disso...

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição.
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo.
É elegante a gentileza...
Atitudes gentis, falam mais que mil imagens.
Abrir a porta para alguém... é muito elegante.
Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante.
Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza pela observação,
Mas tentar imita-la é improdutiva.
A saída é desenvolver a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigo não tem que ter estas frescuras”.
Educação enferruja por falta de uso.
E, detalhe: não é frescura.

Martha Medeiros

Dinâmica de Natal

  Sorteio de um Prêmio Especial

Pegue uma caixa de bombons e 12 envelopes, onde guardará algumas instruções. Pergunte quem quer começar a brincadeira e a primeira pessoa que se manifesta ganha a caixa e o envelope de número 1.
O envelope primeiro envelope tem a seguinte mensagem: Parabéns! Você tem muita sorte, foi sorteado com este presente ele simboliza a confraternização, a amizade e a paz. Mas o presente não será seu. Observe a todos e entregue o presente para a pessoa que considera mais organizada. Oriente os convidados para que façam a leitura em voz alta.

Segundo envelope: A organização é algo de muito valioso, e você, como portador desta virtude, irá entregá-lo que achar mais feliz.
Terceiro envelope: Você é feliz! Construa sempre sua felicidade em bases sólidas. A felicidade não depende dos outros, mas de nós mesmos, mas o presente ainda não é seu, entregue-o a uma pessoa que achar meiga.

Terceiro envelope: Você é feliz! Construa sempre sua felicidade em bases sólidas. A felicidade não depende dos outros, mas de nós mesmos, mas o presente ainda não é seu, entregue-o a uma pessoa que achar meiga.

Quarto envelope: A meiguice é algo raro, e você a possui. Parabéns! Mas o presente ainda não é seu, pois você com esse jeito meigo, não vai se importar de o entregar à pessoa mais extrovertida.

Quinto envelope: Por teres esse jeito extrovertido, você foi escolhido para receber este presente, e agora, mostrando sua virtude, entregue-o a quem você achar mais inteligente.
Sexto envelope: A inteligência foi dada por Deus. Parabéns, por teres encontrado espaço para demonstrar seu talento, agora passe o presente para quem achares mais simpático.

Sétimo envelope: Para comemorar, sorria, pois o mundo anda amargo e para melhorá-lo precisamos de pessoas como você, sorria, mas o presente ainda não é seu, passe-o para a pessoa que achar mais solidária.

Oitavo envelope: Solidariedade é uma virtude rara no mundo de egoísmo em que vivemos, mas o presente ainda não é seu, passe-o a pessoa que achar mais alegre.

Nono envelope: Alegria, pessoas como você transmitem alto astral, mas o presente ainda não é seu, passe-o a pessoa que achar mais criativa.

Décimo envelope: A criatividade é fundamental para inovar e dar brilho ao nosso mundo, mas o presente ainda não é seu, passe-o a pessoa mais trabalhadora.

Décimo primeiro envelope: Que orgulho ter essa virtude, mas o presente ainda não é seu, entregue-o para quem você ache que tramite PAZ.

Décimo segundo envelope: O mundo inteiro clama por paz e você, gratuitamente, transmite esta tão grande riqueza, parabéns, Com muita paz compartilhe com todos que aqui estão esses bombons e deseje-lhes muita paz, força e união.

Uma sugestão é sempre colocar o envelope vazio abaixo dos que estão para ler, assim as pessoas ficam perdidas de com quem ficará o presente.

Para crianças
Artista Plástico
Antes do natal sugira que todas as crianças (ou quem quiser) façam colagens ou desenhos com temas natalinos. Na noite de natal exponha todos esses trabalhos como se fosse uma galeria, além de enfeitar a criançada (e os pais) ficam bobos com todos elogiando seus trabalhos.

Coloque todo pessoal para que forme um circulo. Entregue quatro presentes a quatro pessoas, uma longe do outra. Comece a ler um texto cuja estória contenha as palavras “direita” e “esquerda”.Toda vez que as palavra direita for falada, os quatro presentes devem ser movidos para a direita .Se for a palavra esquerda, os presentes passam para a pessoa à esquerda. Use bastante essas palavras-chaves para dar bastante movimento à essa dinâmica. No final da história quem estiver segurando presente, é o seu dono.
 texto

Uma menina vivia muito triste e ninguém sabia o motivo. Certo dia perguntou-lhe o que havia acontecido e então a garotinha respondeu:
- Sou triste porque não conheço Deus.
Então lhe falou que a indicaria o caminho a Deus.
-Siga por esse caminho e vira a primeira esquerda. Ali abrirá um campo verdinho a sua frente, siga pela esquerda em poucos passos avistará um rio a sua direita. Atravesse a ponte de madeira a direita e siga pela direita novamente. Se olhar pela direita haverá lindos pomares e a esquerda um curral cheio de boizinhos. Vire a direita entre as árvores. Caminhe sempre pela direita quando acabarem os pomares vire a direita novamente a sua frente haverá uma pequena cidade. Vire a esquerda após passar pela delegacia, depois vire direita e direita novamente, você verá um armazém a sua direita e uma loja de presentes a sua esquerda. Vire a direita após passar a loja de presentes a sua direita revelará uma linda igreja. Entre a igreja pela porta da direita e quando chegar próximo ao altar verá a sua direita uma portinha bem estreita a maçaneta esta do lado direito da porta. Ao atravessar a porta havará um longo corredor, iluminado com algumas velas do lado direito. Siga em frente até avistar um clarão do lado direito. Entre nessa sala. Ali avistará Deus.
A menininha fez todo esse trajeto, chegando lá quando entrou na salinha a sua direita um ancião de voz tremula disse’:

- Deus está aí dentro de você, do lado esquerdo do seu peito, dentro do coração.
Então a garota levou a sua mão direita ao seu peito esquerdo e deu um suave sorriso. Assim a garota nunca mais ficou triste e nas noites de véspera de natal geralmente faz uma oração a Deus, que esta simbolicamente representado num altar do lado direito de sua cama.
Variação: Para acrescentar emoção a brincadeira poderia dividir os quatro presentes da seguinte forma: O presente um, poderia ser uma coisa legal e o seu dono seria a pessoa que ficou com ele no final da brincadeira. O segundo presente poderia ser bombons para compartilhar com o resto do pessoal. O presente 3 seria doado para alguém do circulo e finalmente o presente 4, o dono dele deveria realizar uma tarefa (pagar mico) para que o presente fique com ele, caso contrário, teria que doar também.



Objetivo: Proporcionar condições para reflexão e mudanças de comportamento, buscando a transformação para um mundo mais justo, mais responsável e mais humanizado e humanizante.
Autora da dinâmica: Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Piracicaba SP

Material
: Cada participante deverá trazer algo que utiliza em seu cotidiano, para simbolicamente oferecer. Caso não seja possível trazer o original, poderá ser usado um desenho ou mesmo a palavra escrita representando o objeto. Serão necessários alguns metros de barbante para se fazer um círculo no chão, tomando a maior parte da sala.
Também será necessário um presépio ou uma imagem do menino Jesus na manjedoura.

Objetivo
Proporcionar condições para reflexão e mudanças de comportamento, buscando a transformação para um mundo mais justo, mais responsável e mais humanizado e humanizante.

Solicitação: Todos os participantes devem sentar em círculo. O animador pedirá para que todos pensem no que cada um pode oferecer individualmente e com o seu grupo ao Menino-Deus. Em seguida, deverá colocar o barbante no chão, formando um círculo, pedindo para que cada participante coloque dentro deste círculo o que irá ofertar. O animador perguntará o porquê desta oferta. Depois que todos responderem, cada um recolhe sua oferta e volta para o círculo inicial. Todos aplaudem.

Fechamento: O animador deve sugerir que seja discutido como todos podem introduzir tais idéias de transformação, oferecendo ao Menino-Deus este grupo renovado, como presente de Natal. Todos de mãos dadas em torno do presépio farão uma oração de entrega, poderão ler Lucas 2, 6-14 e cantarão uma música natalina, Noite Feliz, por exemplo.

Exercício da qualidade
Objetivo: Conscientizar os membros do grupo para observar as boas qualidades nas outras pessoas; despertar as pessoas para qualidades até então ignoradas por elas mesmas.
Participantes: 30 pessoas

Tempo: 45 minutos

Material: lápis e papel

Descrição: o coordenador inicia dizendo que na vida as pessoas observam não as qualidades, mas sim os defeitos dos outros. Nesse instante cada qual terá a oportunidade de realçar uma qualidade do colega.

1. O coordenador distribuirá uma papeleta para todos os participantes. Cada qual deverá escrever nela a qualidade que no entender caracteriza seu colega da direita;

2. A papeleta deverá ser completamente anônima, sem nenhuma identificação. Para isso não deve constar nem o nome da pessoa da direita, nem vir assinada;

3. A seguir o animador solicita que todos dobrem a papeleta para ser recolhida, embaralhada e redistribuída;

4. Feita a redistribuição começando pela direita do coordenador, um a um lerá em voz alta a qualidade que consta na papeleta, procurando entre os membros do grupo a pessoa que, no entender do leitor, é caracterizada com esta qualidade. Só poderá escolher uma pessoa entre os participantes.

5. Ao caracterizar a pessoa, deverá dizer porque tal qualidade a caracteriza;

6. Pode acontecer que a mesma pessoa do grupo seja apontada mais de uma vez como portadora de qualidades, porém, no final cada qual dirá em público a qualidade que escreveu para a pessoa da direita;

7. Ao término do exercício, o animador pede aos participantes depoimento sobre o mesmo.

Dinamica de Fim de Ano para Integrar grupos e equipes

Objetivo dessa dinamica de natal para grupos e equipes é proporcionar condições para reflexão e mudanças de comportamento, buscando a transformação para um mundo mais justo, mais responsável e mais humanizado e humanizante.

Material: Cada participante deverá trazer algo que utiliza em seu cotidiano, para simbolicamente oferecer. Caso não seja possível trazer o original, poderá ser usado um desenho ou mesmo a palavra escrita representando o objeto. Serão necessários alguns metros de barbante para se fazer um círculo no chão, tomando a maior parte da sala. Também será necessário um presépio ou uma imagem do menino Jesus na manjedoura.

Objetivo: Proporcionar condições para reflexão e mudanças de comportamento, buscando a transformação para um mundo mais justo, mais responsável e mais humanizado e humanizante.
Solicitação: Todos os participantes devem sentar em círculo. O animador pedirá para que todos pensem no que cada um pode oferecer individualmente e com o seu grupo ao Menino-Deus. Em seguida, deverá colocar o barbante no chão, formando um círculo, pedindo para que cada participante coloque dentro deste círculo o que irá ofertar. O animador perguntará o porquê desta oferta. Depois que todos responderem, cada um recolhe sua oferta e volta para o círculo inicial. Todos aplaudem.


Fechamento: O animador deve sugerir que seja discutido como todos podem introduzir tais idéias de transformação, oferecendo ao Menino-Deus este grupo renovado, como presente de Natal. Todos de mãos dadas em torno do presépio farão uma oração de entrega, poderão ler Lucas 2, 6-14 e cantarão uma música natalina, Noite Feliz, por exemplo.
Autora da dinâmica: Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme

Dinâmica para o Melhores do Ano - Vendedor ou Colaborador

O principal objetivo dessa dinamica de fim de ano é parabenizar os melhores vendedores ou colaboradores, estimular a criatividade e uma competição saudável entre os participantes além de desenvolver criatividade no ramo de vendas.
Materiais: Papel e caneta para cada participante.
Procedimento: Peça aos participantes que imaginem terem sido nomeados colaborador do ano.
Sua tarefa é planejar a cerimônia de premiação a ser realizada em sua homenagem.
Não há orçamento e a única diretriz é não infringirem regras da empresa.
Encoraje os participantes a pensarem de forma criativa e se divertirem um pouco com isso.
É uma oportunidade para planejar sua "comemoração dos sonhos"! Para dar partida, peça que considerem o seguinte:
a. Tema.
b. Número de convidados.
c. Local.
d. Hora.
e. Atividades.
f. Cardápio.
Dicas: Pontos para discussão:
Como se sentiram ao realizar a atividade?
De que forma você gosta de ser reconhecido pelo seu trabalho?
De que forma a empresa em que vocês trabalham reconhecem o bom desempenho dos colaboradores?
Tempo de aplicação: 20 minutos
Número máximo de pessoas: 10
Número mínimo de pessoas:

domingo, 20 de novembro de 2011

As portas do coração




  Letícia Thompson

Acho que ninguém passa a vida como uma folha em branco, sem escritos, sem rabiscos. Tudo vai sendo escrito na alma, os momentos vão sendo registrados , misturando o que foi com o que deixou de ser, as grandes expectativas com as grandes decepções.
Cada página virada traz as marcas das que passaram e com o tempo vamos aprendendo a prudência nas relações.
Quando somos jovens é diferente, pois a esperança é tão eterna quanto o amor que toma conta da gente. Mas os anos nos trazem a vivência, a desconfiança e a memória das coisas que nos fizeram mal.
Se na juventude nos jogamos de cara a cada nova oportunidade, mais tarde aprendemos a caminhar lentamente, olhar de longe, tentar reconhecer os riscos e buscar garantias. Essas mesmas garantias que só são assinadas depois, bem depois, caso existam.
A vida não nos abandona e as oportunidades vão surgindo. Mas, com elas as feridas que se reabrem, que revivem e fechamos os olhos a, talvez, belos instantes de felicidade plena e eterna.
Não sabemos! Não podemos saber! As pessoas não são iguais, mas tão parecidas! Não queremos sonhar de novo e cair de novo, chorar de novo e parecer tolos aos olhos dos outros... preferimos fechar as portas do coração e olhar pela fresta, imaginar o que teria sido se tivéssemos, pelo menos, tentado...
Queremos sempre o amor, nunca a dor que dele resulta. Queremos o mel, a alegria e até a saudade que pode incomodar o coração, mas dor... dor não!
Não sabemos, talvez, que seja esse o preço e que a alegria de amar um tempo vale mil vezes a dor cravada na alma.
Amar alguém é elevar-se ao ponto nobre da vida. É tocar o céu e ter a terra aos seus pés. E se mais tarde os ventos contrários nos trazem de volta, valeu a viagem, valeram as lembranças que carregamos e que nos sustentam.
E entre os escritos da vida, prevalecem, no fim, o néctar que soubemos tirar das flores, a poesia que tiramos dos amores, mesmo daqueles que tiveram fim...

Letícia Thompson

Remorso

Olavo Bilac

Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando.
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.

Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!

Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,

Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!

Um beijo


Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!

Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto...
Olavo Bilac

O amor, quando se revela...

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Fernando Pessoa

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Solidão


Em ti estás todo, mar, e contudo
como estás sem ti, e só,
e longe, sempre, de ti mesmo!
...

Aberto em mil feridas, cada instante,
qual minha fronte,
tuas ondas vão, como meus pensamentos,
e vêm, vão e vêm,
beijando-se, separando-se,
num eterno conhecer-se,
mar, e desconhecer-se,

És tu e não o sabes,
teu coração te late e não o sente...
Que plenitude de solidão, mar só!

JIMÉNEZ, Juan Ramón. "Soledad". In: RICO, Francisco (org.). Mil años de poesía española. Antologia comentada. Barcelona: Planeta, 1996.

domingo, 13 de novembro de 2011

MULHERES


"Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.
Pare para refletir sobre o sexto-sentido.

Alguém duvida de que ele exista?
E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?

E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?

E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque "vai fazer frio". 

Você não leva. O que acontece?

O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro!

"Leve um sapato extra na mala, querido.

Vai que você pisa numa poça..."

Se você não levar o "sapato extra", meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado...

O sexto-sentido não faz sentido!

É a comunicação direta com Deus!

Assim é muito fácil...

As mulheres são mães!

E preparam, literalmente, gente dentro de si.

Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal?

E não satisfeitas em ensinar a vida elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral.

Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"...

Tudo isso é meio mágico...

Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).

As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravazam?

Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens...

É choro feminino. É choro de mulher...

Já viram como as mulheres conversam com os olhos?

Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar.

Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar.

E apontam uma terceira pessoa com outro olhar.

Quantos tipos de olhar existem?

Elas conhecem todos...

Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens!

E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens.

EN-FEI-TI-ÇAM !

E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas?

Para estudar os homens, é claro!

Embora algumas disfarcem e estudem Exatas...

Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro".

Quer evidência maior do que essa?

Qualquer um que ama se aproxima de Deus.

E com as mulheres também é assim.

O amor as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas.

É sabido que as mulheres confundem sexo e amor.

E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida.

Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado.

Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo.

Mas elas são anjos depois do sexo-amor.

É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos.

E levitam.

Algumas até voam.

Mas os homens não sabem disso.

E nem poderiam.

Porque são tomados por um encantamento
que os faz dormir nessa hora."

Luís Fernando Veríssimo


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pe. Geral. Michael Brehl fez em Aparecida esta homilia dia 06.11.11 na missa das 18 h, transmitida pela TV Aparecida.

Caros confrades, romeiros e demais devotos de Nossa Senhora Aparecida,
É uma grande satisfação para mim celebrar a Eucaristia com vocês nesta tarde, na Solenidade de Todos os Santos. Os Missionários Redentoristas de todas as partes do Brasil estão aqui reunidos hoje, junto com outros Missionários Redentoristas vindos de Roma. Junto com vocês, estamos pedindo as bênçãos e a intercessão de nossa Mãe Aparecida. Neste fim de semana, nós Redentoristas estamos rezando e conversando sobre como somos chamados por Deus hoje - chamados a levar o Evangelho a todas as pessoas, e de modo especial aos pobres e abandonados.
No Evangelho de hoje, Jesus proclama as Bem-Aventuranças do Sermão da Montanha. Eu creio que com estas palavras Jesus está oferecendo um retrato de si mesmo. Muitos artistas famosos pintaram um auto-retrato – pensem, por exemplo, em Leonardo da Vinci e Rembrandt, Picasso e Van Gogh. Através desses auto-retratos, podemos perceber como esses grandes artistas enxergavam a si mesmos. Muitos desses auto-retratos são agora extremamente valiosos e apreciados pelas pessoas amantes da arte.
O auto-retrato que Jesus apresenta não está numa pintura nem num quadro, mas em palavras – palavras muito significativas que cativam a nossa imaginação.  Por meio das Bem-Aventuranças, Jesus nos convida a olhar para ele do jeito que ele é realmente. Este auto-retrato é uma bela poesia, rica de significado. Durante séculos, tem sido considerado como um tesouro pelas pessoas que amam a Jesus e se denominam cristãos. Cada uma das Bem-Aventuranças nos diz alguma coisa muito significativa a respeito do Mestre.
Jesus é aquele que é pobre em espírito. Ele amava e apreciava a vida, a amizade e as boas refeições. Mas ele não se prendeu a nenhuma dessas coisas. Sua pobreza em espírito deu-lhe a liberdade de estar perto de todas as pessoas e de apreciar a vida sem ser dominado pelo prazer.
Jesus é aquele que é manso e gentil. É notável ver um homem daquele tempo e daquela cultura tão à vontade consigo mesmo que podia ser tão gentil com os outros. Lembrem-se daquela mulher surpreendida em adultério? Jesus tratou-a com uma delicada gentileza que ainda comove os corações de muitos que ouvem essa história. Vemos essa mesma gentileza quando Jesus abraça as crianças ou acolhe os pecadores.
Jesus é aquele é aflito e que chora. Embora Filho de Deus, chorou a morte de Lázaro. Sentiu a dor da viúva de Naim que perdera seu filho único. Chora sobre Jerusalém, a Cidade Santa. Jesus conhece a dor humana da perda.
Jesus tem fome e sede daquilo que é justo. Não admira que tenha tido problemas com as autoridades!
Jesus é o construtor da paz – trouxe a paz com seu próprio sangue. Jesus é puro de coração – sincero em seu enfoque no Reino de Deus.  Jesus é perseguido, e é misericordioso.
Essas Bem-Aventuranças não são apenas um ideal que deve ser vivido pelos discípulos de Jesus – são um auto-retrato do próprio Jesus.  Elas nos mostram Jesus como ele realmente é.
Na segunda leitura de hoje, São João nos diz que quando vemos Jesus como ele realmente é, nos tornaremos semelhantes a ele. É isto que significa ser santo. Este é o dom do Pai que nos ama.
Às vezes pensamos que é muito difícil ser santo, pensamos que os santos são uma classe especial de pessoas – e não pessoas como vocês e eu. A Solenidade de hoje, dia de Todos os Santos, nos diz que isto não é verdade! Os Santos são pessoas exatamente como nós – como vocês, como eu. Os Santos vêm de qualquer tribo e nação, de todas as línguas e povos. E existem mais santos entre nós do que nós podemos contar!
Santo Afonso de Ligório estava convencido disto. Acreditava que todo cristão é chamado a ser santo – e não somente depois que morre. Esta é a nossa vocação já agora. Somos chamados a ser como Jesus. E é por isso que ele nos dá essas Bem-Aventuranças no evangelho de hoje: para nos mostrar como nos tornarmos santos.
Somos chamados a nos tornarmos pobres em espírito – não sermos vítimas do materialismo e do consumismo que vemos ao redor de nós.
Somos chamados a sermos gentis e cheios de cuidado uns para com os outros. Podemos consolar e confortar os que choram. Podemos ser construtores de paz nas pequenas situações de cada dia. Puros de coração, podemos conservar nosso olhar fixo em Jesus. Podemos lutar por aquilo que é justo e reto no mundo.
Meus irmãos Redentoristas, reunidos neste belo santuário de Nossa Senhora Aparecida, reafirmemos nosso compromisso de seguir seu Filho, assim como fez Maria. Ele está nos chamando hoje a olhá-lo como ele realmente é, e a nos tornarmos mais e mais semelhantes a ele. Se nós o olharmos como ele realmente é, então vamos reconhecê-lo no menor de seus irmãos e irmãs, no pobre e no abandonado. Vamos reconhecê-lo uns nos outros.
Meus amados irmãos e irmãs em Cristo, somos chamados hoje não apenas a honrar os Santos dos tempos passados, mas a nos tornarmos santos nós mesmos hoje em dia. Honramos hoje, não só os santos oficialmente canonizados da Igreja, mas aqueles incontáveis homens e mulheres, pessoas como nós, que seguiram a Jesus e serviram seus irmãos e irmãs. Encontramos muitos deles – em nossas famílias, entre nossos vizinhos, entre os homens e mulheres de boa vontade.
Talvez Deus esteja chamando alguns de vocês para entrar para o meio de nós tornando-se missionários Redentoristas, a fim de doar suas vidas servindo os irmãos como Jesus fez. Se você pensa que pode estar sendo chamado, reze pela sua vocação e procure conversar com um Redentorista. Este é um modo maravilhoso de seguir a Jesus, cheio de alegria e de esperança!
Jesus sabia que o caminho para a santidade é também o caminho para nossos irmãos e irmãs. Ele chama todos nós à santidade e ao serviço mútuo de uns para com os outros. No evangelho de hoje, ele nos mostra um retrato de si mesmo. E nos mostra também que ele está presente junto de todos os que são pobres, ou estão chorando, junto dos que buscam a justiça e a paz, junto dos que são perseguidos e lutam pela justiça.
Ele nos ensina o grande segredo da santidade. É amando e servindo uns aos outros que nós seguimos a Jesus mais de perto. Assim também nós somos incluídos com Nossa Mãe Aparecida e entre todos os Santos, aquela multidão imensa que ninguém podia contar. E a Solenidade de Todos os Santos torna-se festa no

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ternura


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

Amor em paz

Eu amei
Eu amei, ai de mim, muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar

Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você a razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz
Vinícius de Moraes

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Bons Amigos

Machado de Assis
Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
 Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
 Amigo a gente sente! Benditos os que sofrem por amigos,
os que falam com o olhar.
 Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende! Benditos os que guardam amigos,
 os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
 Amigo não tem hora pra consolar!
 Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade
ou te apontam a realidade. Porque amigo é a direção.
 Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
 Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
 Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

A Lista

Oswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos,
quem você mais via há dez anos atrás...
Quantos você ainda vê todo dia ?
 Quantos você já não encontra mais?
 Faça uma lista dos sonhos que tinha...
Quantos você desistiu de sonhar?
 Quantos amores jurados pra sempre...
Quantos você conseguiu preservar?
 Onde você ainda se reconhece,
 na foto passada ou no espelho de agora?
 Hoje é do jeito que achou que seria?
 Quantos amigos você jogou fora...
Quantos mistérios que você sondava,
quantos você conseguiu entender?
 Quantos defeitos sanados com o tempo,
 era o melhor que havia em você?
Quantas mentiras você condenava,
quantas você teve que cometer ?
 Quantas canções que você não cantava,
 hoje assobia pra sobreviver ...
Quantos segredos que você guardava,
 hoje são bobos ninguém quer saber ...
Quantas pessoas que você amava,
 hoje acredita que amam você?

Soneto do Amigo

Vinicius de Morais 

Enfim, depois de tanto erro passado
 Tantas retaliações, tanto perigo
 Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
 Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
 E como sempre singular comigo.

 Um bicho igual a mim, simples e humano
 Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

 O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
 E o espelho de minha alma multiplica...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A vida


(Olavo Bilac)
Na água do rio que procura o mar;
No mar sem fim; na luz que nos encanta;
Na montanha que aos ares se levanta;
No céu sem raias que deslumbra o olhar;

No astro maior, na mais humilde planta;
Na voz do vento, no clarão solar;
No inseto vil, no tronco secular,
— A vida universal palpita e canta!

Vive até, no seu sono, a pedra bruta...
Tudo vive! E, alta noite, na mudez
De tudo, – essa harmonia que se escuta

Correndo os ares, na amplidão perdida,
Essa música doce, é a voz, talvez,
Da alma de tudo, celebrando a Vida!

O tempo passa?


(Carlos Drummond de Andrade



O tempo passa? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer a toda hora.

E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade.

As Mãos de Meu Pai

sobre um fundo de manchas já da cor da terra
- como são belas as tuas mãos
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da
nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza
que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços
da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los
contra o vento?
Ah! como os fizestes arder, fulgir, com o milagre das tuas mãos!
E é, ainda, a vida que transfigura as tuas mãos nodosas...
essa chama de vida - que transcende a própria vida
... e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.

Mário Quintana - In Melhores Poemas

"PRIMAVERAS I"




A primavera é a estação dos risos,
Deus fita o mundo com celeste afago,
Tremem as folhas e palpita o lago
Da brisa louca aos amorosos frisos.

Na primavera tudo é viço e gala,
Trinam as aves a canção de amores,
E doce e bela no tapiz das flores
Melhor perfume a violeta exala.

Na primavera tudo é riso e festa,
Brotam aromas do vergel florido,
E o ramo verde de manhã colhido
Enfeita a fronte da aldeã modesta.

A natureza se desperta rindo,
Um hino imenso a criação modula,
Canta a calhandra, a juriti arrula,
O mar é calmo porque o céu é lindo.

Alegre e verde se balança o galho,
Suspira a fonte na linguagem meiga,
Murmura a brisa: - Como é linda a veiga!
Responde a rosa: - Como é doce o orvalho!


CASIMIRO DE ABREU
(1° de Julho - 1858)


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Do quinto evangelho: proclamação do Cristo do Corcovado



Naqueles dias, ao se completarem 80 anos de existência, o Cristo do Corcovado estremeceu e se reanimou. O que era cimento e pedra se fez carne e sangue. Estendendo os braços, como quem quer abraçar o mundo, abriu a boca, falou e disse:
“Bem-aventurados sois todos vós, pobres, famintos, doentes e caídos em tantos caminhos sem um bom samaritano para vos socorrer. O Pai que é também Mãe de bondade vos tem em seu coração e vos promete que sereis os primeiros herdeiros do Reino de justiça e de paz.
Ai de vós, donos do poder, que há quinhentos anos sugais o sangue dos trabalhadores, reduzindo-os a combustível barato para vossas máquinas de produzir riqueza iníqua. Não serei eu a vos julgar, mas as vitimas que fizestes atrás das quais eu mesmo me escondia e sofria.
Bem-aventurados sois vós, indígenas de tantas etnias, habitantes primeiros destas terras ridentes, vivendo na inocência da vida em comunhão com a natureza. Fostes quase exterminados. Mas agora estais ressuscitando com vossas religiões e culturas dando testemunho da presença do Espírito Criador que nunca vos abandonou.
Ai daqueles que vos subjugaram, vos mataram pela espada e pela cruz, negaram-vos a humanidade, satanizaram vossos cultos, roubaram-vos as terras e ridicularizaram a sabedoria de vossos pagés.
Bem-aventurados e mais uma vez bem-aventurados sois vós, meus irmãos e irmãs negros, injustamente trazidos de Africa para serem vendidos com peças no mercado, feitos carvão para ser consumido nos engenhos, sempre acossados e morrendo antes do tempo.
Ai daqueles que vos desumanizaram. A justiça clama aos céus  até o dia do juízo final. Maldita a senzala, maldito o pelourinho, maldita a chibata, maldito o grilhão, maldito o navio-negreiro. Bendito  o quilombo, advento de um mundo de libertos e de uma fraternidade sem distinções.
Bem-aventurados os que lutam por terra no campo e na cidade, terra para morar e para trabalhar e tirar do chão o alimento para si, para os outros e para as fomes do mundo inteiro.
Maldito o latifúndio improdutivo que expulsa posseiros e que assassina quem ocupa para ter onde morar, trabalhar e ganhar o pão para seus filhos e filhas. Em verdade vos digo: chegará o dia em que sereis espoliados. E a pouca terra da campa será pesada sobre vossas sepulturas.
Bem-aventuradas sois vós, mulheres do povo, que resististes contra a opressão milenar, que conquistastes espaços de participação e de liberdade e que estais lutando por uma sociedade que não se define pelo gênero, sociedade na qual homens e mulheres, juntos, diferentes, recíprocos e iguais inaugurareis uma aliança perene de partilha, de amor e de corresponsabilidade.
Benditos sois vós, milhões de menores carentes e largados nas ruas, vitimas de uma sociedade de exclusão e que perdeu a ternura pela vida inocente. Meu Pai, como uma grande Mãe, enxugará vossas lágrimas, vos apertará contra o seu peito porque sois seus filhos e filhas mais queridos.
Felizes os pastores que servem, humildemente, o povo no meio do povo, com o povo e para o povo. Ai daqueles que trajem vestes vistosas, se envaidecem nas televisões, usam símbolos sagrados de poder, exaltam o Pai Nosso e esquecem o Pão Nosso. Quantos não usam o cajado contra as ovelhas ao invés de contra os lobos. Não os reconheço e não testemunharei em favor deles quando aparecerem  diante do meu Pai.
Bem-aventuradas as comunidades eclesiais de base, os movimentos sociais por terra, por teto, por educação, por saúde e por segurança. Felizes deles que, sem precisar falar de mim, assumem a mesma causa pela qual vivi, fui perseguido e executado na cruz. Mas ressurgi para continuar a insurreição contra um mundo que dá mais valor aos bens materiais que à vida, que privilegia a acumulação privada à participação solidária e que prefere dar os alimentos aos cães que aos famintos.
Bem-aventurados os que sonham com um mundo novo possível e necessário no qual todos possam caber, a natureza incluída. Felizes são aqueles que amam a Mãe Terra como sua  própria mãe, respeitam seus ritmos, dão-lhe paz para que possa refazer seus nutrientes e continuar a produzir tudo o que precisamos para viver.
Bem-aventurados os que não desistem,mas resistem e insistem que o mundo pode ser diferente e será, mundo onde a poesia anda junto com o trabalho, a musica se junta às máquinas e todos se  reconhecerão como irmãos e irmãs, habitando a única Casa Comum que temos, este belo e irradiante pequeno planeta Terra.
Em verdade, em verdade vos digo: felizes sois vós porque  sois  todos filhos e filhas da alegria pois estais  na palma da mão de Deus. Amém”.
 


Para conhecer mais o autor, acesse: 
http://leonardoboff.wordpress.com  e  www.leonardoboff.com

Fonte: Leonardo Boff

sábado, 8 de outubro de 2011

O PICNIC

Gif de casal
LEMBRO COM SAUDADES,OS PICNIC NA ESCOLA,QUANDO UMA VEZ NO ANO IAMOS A UMA CIDADE PRÓXIMA OU FAZENDAPRÓXIMA,COM A TURMA DO COLÉGIO,SÓ ESTUDAVA MENINAS,MAS DÁVAMOS UM JEITINHO DE AVISAR OS MENINOS,QUE ESTÁVAMOS LONGE DOS OLHARES DA AVÓ E DAS OLHEIRAS QUE FAZIAM OS SERVIÇOS DA CASA.ERA UM DIA DE MUITA ALEGRIA,AS COLEGAS FAZIAM BARREIRA,PARA AS FREIRAS NÃO VER QUE ALI ATRAS TINHA UM CASAL QUE ELE ALISAVA COM TODO RESPEITO A MÃO DELA.MEU DEUS O FRIO SUBIA NA BARRIGA E DESCIA PRA ONDE NÃO DEVIA.ERA UM SEXO POR PENSAMENTO OU MELHOR SENTIMENTO,PORQUE NADA SE SABIA NEM CONHECIA,APENAS SENTIA.E NAQUELE ENCONTRO ROLAVA OLHARES PROVOCANTES,QUE SE FIZESSE UM EXAME PROFUNDO,AQUELE OLHAR ATINGIA O ORGASMO.MAS ERA TUDO UMA PUREZA,NÃO TINHA MALDADE,DIZEM OS ANTIGOS,MAS TINHA ANGUSTIA,TESÃO DO MESMO JEITO,SÓ NÃO TINHA AÇÃO.OS RAPAZES SABIAM O QUE SENTIA,O QUE FAZER,MAS NÓS POBRES COITADAS VIRGEM,PENSAVA ATÉ QUE O BEIJO NA BOCA ENGRAVIDAVA...KKKK É DEMAIS.O PICNIC ERA O PROGRAMA QUE DEIXAVA  AS MENINAS GRÁVIDAS,E OS PAIS COMEÇARAM A PROIBÇÃO.TUDO QUE SE FAZIA PARA TER UM POUCO DE LIBERDADE LOGO ERA CORTADO.MAS O PICNIC,NÃO TINHA IGUAL,A LIBERDADE,ERA COMO DIZER ESTOU PRONTA PRA AMAR.ERA UM BOM TEMPO MESMO ASSIM,ERA A DRENALINA DO AMOR,AVENTURA.
AH,TEMPO BOM,O TEMPO DO PICNIC.

VALDENICE,08 DE OUTUBRO DE 2011

NÃO APRENDI DIZER ,EU TE AMO!

Gif de chuva
CERTA VEZ UM JOVEM SENTINDO-SE SOZINHO,SENTOU-SE A ESCRAVANINHA,ONDE SEU VELHO PAI COSTUMAVA PASSAR A MAIOR PARTE DO SEU DIA.RABISCOU ALGUNS PAPEIS,MEXEU NAS GAVETAS E SOBRE UMA PRATILEIRA ENCONTROU UM LIVRO VELHO EMPUEIRADO,ONDE CONTINHA O TÍTULO 'MEU DIÁRIO'.ACHOU QUE NÃO SERIA DESCENTE DA PARTE DELE, DEPOIS DO VELHO PAI  TER SUCUMBIDO,ELE IR CONHECER ALGUNS SEGREDOS SEUS.MAS,A CURIOSIDADE FOI MAIS FORTE E ABRIU;LÁ ESTAVA ESCRITO,12 DE FEVEREIRO DE 1932,ELE PAROU E PENSOU DIA EM QUE NASCI.MARCA DE BEIJOS ESTAVAM NA FOLHA DO CADERNO E UMA CRUZ COM O DEDO MOLHADO EM UM LÍQUIDO QUE MANCHOU EM BAIXO TINHA,"QUE DEUS ABENÇOE ESTE PRESENTE MARAVILHOSO QUE HOJE CHEGA EM NOSSO LAR,PARA ENCHER DE ALEGRIA E FELICIDADE,E COM O LEITE QUE SAI DOS PEITOS DE SUA MÃE,QUE FAÇO ESTA CRUZ,NESTE LIVRO."E O BEIJOU DE MINHA MÃE LÁ ESTAVA, PORQUE ALI TINHA UNS LÁBIOS DE BATOM.NA PÁGINA SEGUINTE TINHA ESCRITO,O PRIMEIRO DIA DE UM GRANDE AMOR E MAIS UM BEIJO DE MINHA MÃE,ESCRITO EMBAIXO EU TE AMO MUITO MEU FILHO QUERIDO.E ASSIM FOI PÁGINAS E MAIS PÁGINAS,NARRANDO TODAS AS TRAVESSURAS,A PRIMEIRA QUEDA,O PRIMEIRO DENTE,O PRIMEIRO CORTE DE CABELO,O PRIMEIRO ANIVERSÁRIO,E AS PÁGINAS ESTÃO LIMPAS A SEGUIR.O RAPAZ FICOU FELIZ E AO MESMO TEMPO TRISTE,MAS PORQUE ELES NUNCA ME DISSERAM QUE ME AMAVAM?PORQUE ELES NUNCA ME BEIJARAM?O QUE FIZ? O QUE TENHO?QUAL A DECPÇÃO QUE CAUSEI A ELES? POR QUE NÃO TENHO IRMÃOS?
MINHA MÃE SE FOI EU ERA BEM CRIANÇA,MEU PAI AINDA BRINCOU COMIGO,ME LEVOU PRA ESCOLA,PRO FUTEBOL,JOGÁVAMOS DOMINÓ JUNTOS,ELE NUNCA ME DEU UM ABRAÇO NEM ME DISSE QUE ME AMAVA.
PENSOU UM POUCO E FALOU SOZINHO.
ACHO QUE TUDO ERA NORMAL NA VIDA DELES,FALTOU APENAS,ELES DIZEREM EM VOZ ALTA QUE ME AMAVAM,MAS SE TIVESSEM DITO,TALVEZ NÃO TIVESSE ESCRITO E EU JA TINHA ESQUECIDO.LENDO AGORA ,SINTO-OS PERTINHO DE MIM,FAZENDO SEMPRE O QUE GOSTO,ME ENSINANDO A SER CORRETO,A TER RESPONSABILIDADE,RESPEITO AOS OUTROS,ENFIM O QUE SOU HOJE,ESTE GRANDE EXECUTIVO.ENTENDO MINHA SOLIDÃO,NÃO APRENDI DIZER ,EU TE AMO.
VALDENICE,06 DE OUTUBRO DE 2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

EU TE AMO... NÃO DIZ TUDO!


Você sabe que é amado(a) porque lhe disseram isso?

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida,

Que zela pela sua felicidade,
Que se preocupa quando as coisas não estão dando certo,

Que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas,
E que dá uma sacudida em você quando for preciso.

Ser amado é ver que ele(a) lembra de coisas que você contou dois anos atrás,

É ver como ele(a) fica triste quando você está triste,
E como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d'água.

Sente-se amado aquele que não vê transformada a mágoa em munição na hora da discussão.

Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.
Aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.

Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é,
Sem inventar um personagem para a relação,
Pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.

Sente-se amado quem não ofega, mas suspira;
Quem não levanta a voz, mas fala;
Quem não concorda, mas escuta.

Agora, sente-se e escute: Eu te amo não diz tudo!
Arnaldo Jabor
 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011



AMIGOS
(Vinícius de Moraes)

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.

Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor.

Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências.

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. É delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí.

E me envergonho, porque essa minha prece é em síntese, dirigida ao meu bem estar.

Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer.

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que não desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

Com o meu carinho!






O VELHO E A FLOR


Por céus e mares eu andei,
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber
O que é o amor.

Ninguém sabia me dizer,
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho
Com uma flor assim falou:

O amor é o carinho,
É o espinho que não se vê em cada flor.
É a vida quando
Chega sangrando aberta
em pétalas de amor.





Amo-te tanto, meu amor...não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Nunca, sempre diversa realidade.



Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.



Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.



E de amar assim muito amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinícius de Moraes
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